Perguntas Feitas com Frequência sobre a Avaliação TKI

por Ralph H. Kilmann


Conflito é algo ruim?

Como algumas pessoas se machucaram por conflitos, elas querem ficar longe deles – ou se livrar deles (o que é compreensível). Na verdade, algumas pessoas acreditam que o mundo seria melhor se não houvesse qualquer tipo de conflito. No entanto, se aceitarmos que o conflito em si é algo neutro, conseguiremos ver que o lado bom ou ruim dele está totalmente baseada na maneira como lidamos com ele. Na verdade, qualquer conflito pode ser tratado com respeito e dignidade ou ser abordado com raiva e malícia. No entanto, o ponto mais importante é: o conflito pode ser uma ótima oportunidade para criar melhores soluções a problemas antigos. Não é de surpreender que o TKI tenha sido criado para promover o lado bom do conflito – como ele pode ser administrado de maneira criativa – para que ele possa ajudar as pessoas a satisfazer suas necessidades em todos os tipos de situações.

A minha abordagem ao conflito está profundamente incorporada à minha personalidade ou é algo que eu possa mudar facilmente?

Há uma “equação” bem conhecida nas ciências sociais: comportamento é uma função de características da personalidade e forças de situações. Embora as características da personalidade sejam propriedades duradouras das pessoas e, portanto, não podem ser mudadas a curto prazo (por exemplo, seu tipo psicológico, conforme medido pelo Myers-Briggs Type Indicator), o TKI mede como você geralmente se comporta em situações de conflito, não as suas características duradouras de personalidade. Embora o seu comportamento possa ser habitual (automaticamente escolhendo se comportar de determinada maneira, independentemente da situação), ele também pode se tornar muito consciente e cuidadoso (analisando cautelosamente a situação antes, considerando uma variedade de opções comportamentais e depois associando o seu comportamento à situação). Na verdade, quando você realiza o TKI, calcula as suas pontuações e registra os seus resultados, você imediatamente fica mais atento aos seus hábitos comportamentais em relação à resposta a situações de conflito. E então, com os materiais interpretativos do TKI, você logo irá desenvolver a habilidade de avaliar os principais atributos de situações de conflito, sabendo que modo melhor se adequa a uma determinada situação. Com a prática, você achará fácil escolher comportamento – e mudá-los rapidamente – dependendo dos atributos da situação e do que se desdobra com o tempo.

Qual foi o TKI  criado com os itens A/B?

Antes de o TKI ser desenvolvido, no início da década de 70, todos os outros instrumentos de conflito estavam sujeitos a uma forte propensão de resposta de desejo: os entrevistados poderiam facilmente dizer qual modo de conflito, considerando a maneira como ele foi formulado, teve um sinal positivo (colaborando) e qual teve um sinal negativo (evitando). Como pode se esperar, esses sinais indesejados afetaram de maneira significativa o auto-relato do comportamento de solução de conflito. No entanto, ao agrupar os modos para que cada combinação A/B seja agora igual em desejo social (conforme determinado por diversas pesquisas), os entrevistados não poderão mais escolher A ou B de acordo com o que faz com que eles se sintam melhor (ou com o que pareça mais ideal aos outros). Como resultado, as pessoas que realizarem o TKI deverão escolher o item A ou B em cada par de frases selecionando a alternativa que descreva com mais precisão o comportamento que elas apresentam em situações de conflito. Observação: mesmo se o fato de responder aos itens A/B parece difícil (provavelmente devido ao desejo social), seus resultados no TKI serão mais precisos do que seriam caso você realizasse qualquer outro instrumento de conflito que não fosse cuidadosamente criado para reduzir tais propensões de resposta.

Por que os itens repetem no instrumento?

Na vida real, vcoê será sempre forçado a escolher qual modo utilizar em uma determinada situação – já que você não conseguirá utilizar diferentes modos de conflito ao mesmo tempo. Para avaliar com quem frequência (relativamente falando) você geramente escolhe um modo em relação a outro, agrupamos cada modo três vezes uns com os outros. Com base em todas as combinações possíveis, isso resulta em 30 pares TKI no total. Às vezes, o mesmo item para um modo é utilizado mais de uma vez, pois ele permanece o mesmo em desejo social com um item diferente para outro modo. Em outros momentos, as palavras utilizadas de um item em um par são levemente modificadas (ou reescritas totalmente) para garantir que o desejo social de ambos os itens seja a mesma.

Por que o TKI apresenta apenas 30 itens agrupados? Você não precisa de mais itens para medir, com precisão, o comportamento de solução de conflitos de uma pessoa?

A precisão/confiabilidade de qualquer avaliação aumenta rapidamente conforme um segundo, terceiro e quarto itens são acrescentados ao instrumento. No entanto, após algum tempo, acrescentar mais itens apenas aumentará levemente a confiança do instrumento. Em alguns casos, fazer isso após um determinado ponto na verdade diminui a precisão de um instrumento, pois os itens adicionais estão agregando outras informações, além do que o instrumento está buscando medir. Ao mesmo tempo, acrescentar cada vez mais itens pode incomodar os participantes, pois eles ficarão cansados de responder a tantas perguntas – o que também poderá desviar a precisão da avaliação. Com os resultados de diversas pesquisas, todos os 30 itens do TKI demonstraram um útil equilíbrio entre (1) a confiabilidade/precisão da medição dos cinco modos e (2) a resistência das pessoas ao preenchimento de uma longa avaliação.

Quais são a confiabilidade e a validade do TKI em comparação a outros instrumentos que medem os mesmos cinco modos de solução de conflitos?

O primeiro estudo sobre a validade do TKI foi publicado em 1977: Ralph H. Kilmann e K. W. Thomas, "Developing a Forced-Choice Method of Conflict-Handling Behavior," Educational and Psychological Measurement, Vol. 37, N° 2, páginas 309-325. Considerando a maneira como o TKI é comparado a outros instrumentos de conflito, veja também o artigo de 1978: Thomas, K. W., e R. H. Kilmann. "Comparison of Four Instruments Measuring Conflict Behavior.” Psychological Reports, Vol. 42, N° 3, páginas 1139-1145. A partir dessas primeiras publicações, a vantagem do TKI em relação aos outros instrumentos de solução de conflitos (desenvolvidos por Blake e Mouton, Lawrence e Lorsch e por Hall) é impressionante – principalmente em relação da redução dramática do TKI na propensão de resposta de desejo social.

Como pode acontecer de as pessoas de diferentes gêneros, raças, idades e experiências profissionais compararem pontuações às mesmas normas de solução de conflitos, conforme mostrado no Perfil TKI?

Antes de 2007, o Perfil TKI se baseava nas pontuações do modo de 339 gerentes medianos e superiores no comércio e no governo, que eram inicialmente homens brancos dos EUA do início da década de 70. Desde 2007, o Perfil TKI Profile se baseia em uma amostra aleatória, estratificada de 8000 entrevistados (com base em uma população de 59000 entrevistados) que reflete a população dos EUA em gênero, raça, idade, experiência profissional e localização geográfica. Consulte o relatório da CPP, The Technical Brief, para ver o estudo completo. Vale ressaltar que 8 das 15 categorias (pontuações alta, média e baixa para cada um dos cinco modos) mudaram de 1970 a 2000 em apenas um número, enquanto outras 7 categorias do Perfil TKI permaneceram exatamente iguais. Uma questão ainda mais surpreendente é que não houve diferença significativa, falando de maneira prática, em qualquer distinção demográfica. É por isso que todos nos EUA podem utilizar o Perfil TKI – atualizado recentemente – para descobrir a distribuição dos seus cinco modos de conflito acima de 25%, em 50% medianos ou abaixo de 25%.

Como pessoas de diferentes países e culturas conseguem comparar suas pontuações às mesmas normas de solução de conflitos, conforme mostrado no Perfil TKI?

Em 2011, a CPP forneceu o segundo relatório sobre as normas do TKI: International Technical Brief for the Thomas-Kilmann Conflict Mode Instrument. Esse estudo investigativo incluiu 6168 indivíduos representando 16 países: Austrália, Brasil, Canadá (duas amostrar — falantes de inglês e do francês canadense), pessoas da República da China, França, Alemanha, Índia, República da Irlanda, Itália, Japão, México, Nova Zelândia, Singapura, África do Sul, Suécia e Reino Unido. Todos os entrevistados, sem ser aqueles que completaram a avaliação do francês canadense, responderam a diversos itens demográficos antes da realização da avaliação TKI. Esses itens eram referentes ao nível organizacional, estados de emprego, idade, gênero, anos trabalhando no cargo atual e satisfação com o cargo atual. Embora a amostra internacional de pesquisa do TKI com 6168 entrevistados de 16 países tenha sido relativamente pequena em relação à amostra dos EUA (59000 entrevistados, dos quais 8.000 foram selecionados aleatoriamente), o estudo internacional sugeriu que, como uma questão prática, as normas americanas do TKI (em particular, as categorias alta, média e baixa) não eram tão diferentes em relação a esses países do estudo. Portanto, é razoável concluir que o Perfil TKI atual pode ser utilizado com confiança para interpretar resultados de pessoas de origem e residência internacionais. Em um futuro próximo, no entanto, conforme mais pessoas responderem ao TKI em todo o mundo, os estudos multiculturais terão uma base mais sólida (uma amostra maior, estratificada, aleatória) para determinar (1) se o Perfil TKI (baseado na Amostra de Normas Americanas) precisa ser modificado para se adequar a diferentes países ou (2) se o comportamento para lidar com conflitos é de fato tão semelhante entre países e continentes a ponto de as pontuações alta, média e baixa na avaliação TKI, falando de maneira prática, não mudarem muito.

Como o Perfil TKI pode apontar como alto em Colaborando e Evitando quando esses modos são totalmente opostos em termos de assertividade e colaboração?

Quando o Perfil TKI mostra dois modos como altos, ele simplesmente sugere que você prefere utilizá-los, provavelmente muito, sempre que suas necessidades e preocupações são incompatíveis com as da outra pessoa. No entanto, não tente ver uma lógica não justificada nessas combinações de modo, pois seu uso possui o próprio tipo de lógica. Por exemplo, se a sua pontuação foi alta em Colaborando e Evitando, a sua resposta imediata a um conflito deve ser colaborar com a outra pessoa. No entanto, se essa pessoa não responder de uma maneira cooperativa, a sua resposta poderá ser: “Eu desisto. Estou fora!”. Ou talvez primeiro você evite a cena, a menos que a outra pessoa imediatamente para para resolver as diferenças com um diálogo cooperativo. Basicamente, o que faz com que a pontuação seja alta na “lógica” desses dois modos é simplesmente o fato de que você aprendeu a abordar situações de conflito de um extremo a outro. Na verdade, qualquer combinação de dois ou mais modos que seja alta (ou baixa) possui a própria lógica, pois essa é a maneira como você aprender a administrar as diferenças. Dito de maneira diferente, seu modo mais alto pode ser visto como seu modo preferido; seu próximo modo mais alto pode ser considerado seu modo de backup (caso o seu modo preferido não funcione); e os seus modos mais baixos são aqueles que você não utiliza muito, a menos que seja pressionado a fazer isso.

É mais difícil diminuir o impacto dos seus modos de conflitos altos ou impulsionar os modos baixos?

Provavelmente seja mais fácil diminuir o impacto dos seus modos alto, pois você já sabe como utilizá-los: você apenas precisa utilizá-los com menos frequência e com mais discernimento. Em relação aos seus modos mais baixos, no entanto, a sua primeira resposta poderá ser: “como – ou por que – eu utilizaria esses modos?” Isso geralmente acontece com os modos menos assertivos Evitando e Concedendo. Algumas pessoas pensam no porquê de elas sairem de uma situação ou se renderem a alguém. No entanto, quando elas tiverem uma chance de estudar os materiais interpretativos no livro do TKI (ver uma AMOSTRA DO RELATÓRIO), elas aprenderão quando esses modos são escolhas perfeitas para uma determinada situação e como suas necessidades serão atendidas de uma maneira melhor utilizando esses modos alternativos – não assertivos – no lugar certo e no momento certo. Nesses casos, porém, talvez ainda seja necessária mais prática para utilizar o que antes foi erroneamente visto como uma resposta “covarde” ou “fracote” ao conflito. De maneira semelhante, se o seu modo baixo for Competindo, talvez primeiro você precise superar o estereótipo de que “competir é agressivo e efoísta” antes de começar a utilizá-lo com mais frequência – e de maneira mais eficaz.

Como as instruções do TKI não especificam uma determinada situação, as minhas pontuações de solução de conflito se aplicam igualmente à minha vida pessoal e à minha vida profissional?

As instruções originais do TKI foram propositalmente gerais para que você tenha uma avaliação de como você aborda conflitos em todos os tipos de situações. Na verdade, algumas pessoas não modificam a sua abordagem ao administrar as diferenças, seja quando elas tem conflitos com os membros da família ou com colegas de trabalho. No entanto, outras pessoas utilizam modos muito diferentes nessas duas situações. Para ter uma ideia melhor sobre o seu comportamento nesses cenários, você pode responder aos itens do TKI de duas maneiras diferentes. Em relação à sua vida profissionais, utilize as seguintes instruções: “Em situações relacionadas ao trabalho, às vezes descobrimos que nossos desejos são diferentes dos desejos de outra pessoa. Como você responde a essas situações?” Em relação à sua vida familiar, utilize as seguintes instruções: “Em situações relacionadas à vida familiar, às vezes descobrimos que nossos desejos são diferentes dos desejos de outra pessoa. Como você responde a essas situações?” Você conseguirá naturalmente definir outras situações nas instruções – quando estiver interessado em examinar seu comportamento de solução de conflitos em um determinado cenário. Observação: não importa como você mude as instruções do TKI; sempre responda a todos os itens com as instruções específicas em mente.

Os materiais interpretativos do TKI dizem que cada modo possui seu lugar, mas eu ainda quero saber: qual é a melhor abordagem para administrar conflitos?

A melhor abordagem para administrar conflitos é uma combinação destas quatro lições: (1) saber que você tem 5 modos de solução de conflito disponíveis para você a todo o momento; (2) desenvolver a habilidade de avaliar os principais atributos de uma situação (nível de estresse, complexidade do problema, importância do problema, tempo disponível para falar sobre o conflito, nível de confiança entre as pessoas envolvidas, qualidade das habilidades de escuta e comunicação, apoio das normas culturais e o sistema de recompensa e a importância da relação para as pessoas); (3) utilizar o modo que melhor se adeque à situação; e (4) mudar para um modo diferente conforme os atributos da situação também mudarem.